Vidas em contos

(por Rita Prates)

Contos de academia

– Nossa! Ufa! Como você está molhadinho, molhadinho! – Gritou entusiasmado o aluno quando entrou na academia e viu o professor correndo na esteira, com o suor escorrendo pelo corpo. Fitou-o encantado e se abanando entrou no vestiário para se trocar. Olhares de espanto e de divertida descontração tomaram conta da academia.

O professor ficou sem graça e imediatamente interrompeu a corrida na esteira. Sorriu para a turma de gozadores e tampou o rosto com a toalha fingindo vergonha. Esperou o aluno eufórico acabar de se trocar para então tomar banho e ir dar aula. Depois do ocorrido, sempre que surge uma brecha, a turma tira sarro com o professor, fala que ele fica mais atraente quando está molhadinho.

Ao presenciar esse rompante de entusiasmo vindo de um aluno atraído pelo professor molhadinho de suor, relembrei alguns casos ocorridos nas academias. “É comum alunos assediarem professores, principalmente em aulas de pilates, onde o contato físico é mais intenso nas correções de postura e nas demonstrações dos exercícios”, disse um professor em uma mesa de bar.  Ocorre o inverso também, o professor se envolver com uma aluna e rolar um caso entre eles.

Foi o que aconteceu com o filho de uma amiga. O rapaz se apaixonou pela aluna, que, segundo ele, tinha pernas bem torneadas e um bumbum de arrepiar. Rolou um romance entre eles e acabou que a garota ficou grávida. Tinha mais alguém nessa história, o rapaz era comprometido e a noiva administrava a academia. A noiva não abriu mão do promissor marido e aceitou a traição como um deslize. Culpou a aluna pela sedução. Não havia dúvidas, realmente a garota era um pedaço de mulher. Depois desse affair com a aluna, a noiva passou a vigiar dia e noite o rapaz. Jurou que não o perderia para “uma gostosona qualquer”.

Casos acontecem com frequência onde tem corpos sarados, suados e adrenalina saindo pelos poros. O marido de uma amiga, professor em uma academia de pilates, chama a atenção pela altura, beleza e o carinho com que trata os alunos. “Algumas alunas mais carentes acham que podem nos paquerar, que vamos topar o assédio”, diz ele abraçando a esposa. “Tive uma aluna que, na maior naturalidade, convidou-me para um jantar a dois. A sobremesa seria ela regada a chantili. Foi um ano de cantadas frequentes, até ela desistir e partir para seduzir outro professor.”

– Nós professores ficamos atentos às gatas assanhadas e perigosas para evitar problemas futuros, mas tem alguns professores que as paqueram e queimam o nosso filme.  Tive alunas que me mostram fotos insinuantes, só para me provocar, continua ele sorrindo – Vocês pensam que são apenas as jovens, não amigos, as coroas atacam sem dó. Começam na brincadeira e depois me cantam na maior cara lavada. Elas confundem educação e atenção com sedução. Tenho que ter o maior cuidado para evitar erro de comunicação.

Lembrei-me de um fato que ocorreu com uma amiga. Ela estava passando por uma crise no casamento, estava infeliz e mal amada. Sentiu nas mãos do professor o calor que faltava nas mãos do marido. A atenção e o cuidado do rapaz fez com que ela ficasse atraída por ele.

A confusão na cabeça dela foi tanta que passou a levar pequenos dengos para agradar o rapaz, e junto seguiam bilhetes com frases de efeito. Ela dizia que ele gostava dela. Era atencioso em ouvir os seus lamentos. Ela fazia questão de errar nos exercícios, só para ele tocá-la ao corrigi-la. Afirmava que o professor tratava as outras alunas de maneira diferente, distante, mas com ela era mais carinhoso. Ficou obcecada por ele, só falava no infeliz. Aguardava o momento em que ele a chamaria para sair e ela se entregaria por inteira.

Um dia, um choque. Quando ela chegou para a aula, encontrou o seu marido conversando com o professor. Ele andava desconfiado da mulher que se arrumava toda e se perfumava para ir às aulas de pilates. Sem que ela soubesse, ele foi à academia e pediu para ser matriculado no mesmo horário da esposa. Queria descobrir quem era o gostosão que estava paquerando a sua mulher.

Para o professor foi um alívio sair das investidas da aluna. Prontamente conseguiu uma vaga para o marido e também mudou o horário de suas aulas para evitar cenas. Ela até hoje conta a raiva que passou quando viu o marido indo vigiá-la na academia. “Por pouco ele iria levar uma bela chifrada, pois o professor estava quase cedendo as suas cantadas” – diz iludida a minha amiga.

 

 

4 comentários em “Contos de academia

  1. Elenice
    28 de abril de 2017

    Muito bom!!!

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  2. Para o Marco!
    3 de maio de 2017

    Excelente!

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  3. vidasemcontosrita
    26 de maio de 2017

    Obrigada Elenice! Fico feliz que gostou!

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  4. vidasemcontosrita
    26 de maio de 2017

    Obrigada! Fico feliz que gostou!

    Curtido por 1 pessoa

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Publicado em 28 de abril de 2017 por e marcado , , , .
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