Vidas em contos

(por Rita Prates)

Putas Desnudas

Lembro-me quando falavam da casa da luz vermelha. Era onde trabalhavam as prostitutas da cidade. Realmente a luz vermelha era o sinal de que ali era um inferninho. Era a luz que esquentava o ambiente ou eram elas? Hoje estão espalhadas nos hotéis, flats e apartamentos. Trocaram a luz vermelha pelos anúncios nos classificados e pela internet.

Li um artigo no jornal sobre o livro Hilda Furacão de Roberto Drummond. Esse ano faz 25 anos do lançamento do livro, que conta a história de Hilda, a prostituta mais famosa da Rua Guaicurus.

Histórias dessas trabalhadoras do sexo são muitas. Tem todo tipo de justificativa para terem abraçado essa profissão. Relatam que foram maltratadas pelos familiares, que passaram fome, que precisam pagar os estudos, que sofreram todos os tipos de abusos, que necessitam ajudar em casa e que se perderam ao perderem entes queridos ou amores bandidos.

Algumas têm a coragem de assumir que gostam do que fazem. Alegam que essa é a profissão que escolheram, pois sentem prazer em fazer sexo e ganham para isso. Trabalham quase todos os dias para sustentar filhos e companheiros. Afirmam que ao alcançarem seus projetos de vida, mudarão de profissão.

Não importa a cor, a idade e a nacionalidade, elas têm desejos e sonhos muito semelhantes. Oferecem-se para diversos tipos de homens com os seus vestidos justos, decotes profundos, shorts curtos e maquiagem pesada.  As roupas transparentes, chamativas, insinuantes e vulgares servem como cartão de visitas. Se bem produzidas, conseguem atrair a atenção para o produto que querem vender. O preço varia de acordo com a idade, a aparência e a qualidade dos serviços prestados.

Satisfazem os desejos dos homens, que querem sexo e não os seus corações. Eles compram o alimento que sugam no ato, fazem para descarregar suas necessidades sexuais e nada mais. Algumas dizem que são suas confidentes. Quem mente? Quem entre braços e pernas ilude um ao outro?

As putas de luxo, perfumadas, com suas roupas impecáveis, de grife, acreditam que são discretas, quase irreconhecíveis. Porém o jeito de andar, de falar e olhar, não passa despercebido para os homens. Oferecem-se com requinte. São acompanhantes finas, sofisticadas, mas na cama são todas iguais.

Hoje elas têm várias linhas de atuação. Algumas se prostituem sem ser tocadas. Pelo telefone ou pela tela do computador satisfazem os seus clientes fazendo tudo que eles mandam. Os ganhos são contabilizados por minutos, enquanto mais os entreter, mais arrecada. Os corpos não se encontram, tornam-se amantes virtuais, sem contato, só gozo a distância.

Elas existem em todos os lugares, desde o hotelzinho de quinta categoria até o de cinco estrelas. Estão na internet, nas boates, nas ruas e na mídia. São de lixo e de luxo. Fazem parte do imaginário das mulheres e dos homens. Minisséries e filmes como Hilda Furacão, Verdades Secretas e Bruna Surfistinha atraem muitos curiosos, que querem conhecer esse universo de desejo e sedução. Muitos as desaprovam, criticam, se comovem e se surpreendem com a vida dessas prostitutas de difícil vida fácil.

Profissão milenar, que se propõe a servir e satisfazer os clientes.  São putas que estão sempre à disposição, carregando suas histórias de vida cheias de mistério, onde nem todas saberão onde irão chegar ou como vão acabar. Inteiras ou partidas são mulheres vendidas, armadas de sentimentos, calçadas de amarguras e cheias de esperança.

 

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Publicado em 23 de setembro de 2016 por e marcado , , , , .
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